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O Edital Jovem.doc é uma realização da Fundação de Apoio a Unifesp (Fap-Unifesp), Universidade Federal Paulista (UNIFESP), Cinemateca Brasileira e Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV-Minc), com o objetivo de fomentar projetos audiovisuais documentais de jovens autores – realizadores que constroem sua cidadania em centros urbanos de todas as regiões do país, protagonistas em suas comunidades locais ou virtuais.

Para esta finalidade a Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, através da Equipe Unifesp de Cooperação Técnica contribuiu para conceituar e difundir o edital em outras universidades parceiras. Foram dez eventos, organizados por dez universidades brasileiras.

A equipe Unifesp de Cooperação Técnica articulou a organização dos eventos de lançamento do edital com professores de outras nove universidades federais. Os eventos aconteceram entre os dias 22 de novembro e 5 de dezembro, levando aos campus de todas essas universidades jovens interessados, estudantes de cinema, entidades e organizações não governamentais e profissionais de produtoras de audiovisuais.

Nesses eventos, participaram também representantes de TVs públicas, educativas e universitárias para falar com os jovens realizadores. As TVs compõem o arco de parceiros no edital e são elas que vão garantir a exibição da série de documentários produzidos por meio do apoio do Edital Jovem.doc.


Realização

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Apoio

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"Jovem, cultura digital e imagens em movimento"

O ano de 2013 foi marcado, no cenário político, pelas “jornadas de junho”, que tiveram início a partir da reivindicação do “Movimento Passe-Livre” pela redução da tarifa do transporte público em São Paulo. Os vinte centavos que levaram os primeiros manifestantes às ruas da capital paulista foram logo seguidos de reivindicações muito mais extensas que o problemático sistema de transporte público nas grandes cidades brasileiras, conformando pautas difusas que mobilizaram contingentes bastante heterogêneos.

Dentre os vários acontecimentos de junho de 2013, um em especial merece nossa atenção: nos primeiros dez dias, em torno de duzentos mil manifestantes ocupavam as ruas de doze capitais brasileiras; contingente que chegou a dois milhões já no dia 20 de junho, verificando-se em apenas um dos atos organizados na cidade do Rio de Janeiro algo em torno de um milhão de manifestantes. O historiador e economista Osvaldo Coggiola calcula que o movimento tenha crescido, em apenas 15 dias, 100.000%. O que poderia explicar o fenômeno? Um dos fatores que nos permite compreendê-lo é o advento do uso massivo das redes sociais. Uma torrente de imagens via Youtube, Facebook e outros meios, muitas delas tomadas com o celular, inundou os canais de comunicação. As “jornadas de junho” são um exemplo de como o jovem brasileiro vem encontrando nas mídias, por meio da comunicação audiovisual, formas extremamente criativas de expressão, mobilização e atuação no espaço público.

Antes privilégios de poucos, as câmaras hoje estão disponíveis aos olhares ávidos pelo registro dos grandes e pequenos acontecimentos cotidianos, dos diversos ritmos que regem a vida urbana, dos protagonismos individuais e coletivos, do belo e do feio que traduzem nossas cidades, das transformações históricas em pequena ou grande escala, das lutas sociais em suas diferentes expressões. Imagens e sons se tornam potencialmente crônicas urgentes, ensaios poéticos, reportagens políticas, intervenções decididas, e são logo apaixonadamente compartilhados nas redes sociais, gerando debates que podem conduzir a reflexões importantes sobre a cidadania, os desafios da democracia, os problemas, expectativas e conquistas que cercam nossa juventude, em toda sua riqueza e diversidade étnica e cultural.

A intensidade dessas novas formas de expressão, afirmação e participação da juventude certamente ajudaram a pressionar para que se sancionasse, em agosto de 2013, com a Lei n. 12.852/13, o Estatuto da Juventude. Nele se estabelece como princípios das políticas públicas de juventude a promoção da autonomia e emancipação dos jovens; a valorização de sua participação social e política, de forma direta e por meio de suas representações; a necessidade da promoção de seu bem-estar, sua capacidade de experimentação e desenvolvimento integral. Esse documento reconhece, ainda, os direitos universais, geracionais e singulares do jovem, o respeito à identidade e à diversidade individual e coletiva, a promoção da vida segura, da cultura da paz, da solidariedade e da não discriminação, além da valorização do diálogo e convívio com as demais gerações.

Assim, pode-se dizer que pelo Estatuto da Juventude, no Brasil, o jovem é reconhecido como ator social, portador de direitos e de grande potencial criativo, capaz de contribuir para a definição dos rumos da sociedade em que vivemos. Apesar do reconhecimento, ainda é necessário concretizar muitos dos princípios mencionados no estatuto. Há muitos desafios a superar, como a busca da garantia e da ampliação de sua participação social e política, um dos aspectos centrais da cidadania. O programa de fomento Jovem.doc é um estímulo à atuação de jovens cineastas, um convite à formalização da experiência fornecida pelas redes sociais e uma oportunidade ímpar para o exercício de reflexões atualizadas sobre a identidade e a atuação do jovem no Brasil, a partir de seu próprio olhar.

Equipe Unifesp de Cooperação Técnica